Valve rejeita subsídios no Steam Machine em nome da plataforma aberta

Valve rejeita subsídios no Steam Machine em nome da plataforma aberta

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O designer de interface Lawrence Yang foi questionado sobre o fato de os jogos adquiridos na loja funcionarem apenas dentro do próprio ecossistema da empresa, o que poderia parecer uma contradição. O desenvolvedor reconheceu o ponto de vista do entrevistador, mas fez questão de diferenciar a postura da companhia em relação aos concorrentes tradicionais. A mentalidade de permitir que o usuário faça o que quiser com o aparelho que comprou é um sopro de ar fresco em um mercado cada vez mais regulado por termos de serviço restritivos, mostrando que ainda há espaço para o respeito à autonomia do jogador.

"Acho que você poderia fazer esse argumento, mas ao mesmo tempo, não travamos nosso hardware. Você pode instalar o Windows, pode instalar outras lojas de jogos no Steam Deck ou no Steam Machine, e isso é algo que trabalhamos ativamente para tornar possível. Não achamos que as pessoas deveriam ser presas a uma loja de jogos."


A fabricante aproveitou para alfinetar a concorrência ao analisar os bastidores da indústria de consoles. Para os lados de Washington, o modelo de negócios baseado em travas digitais e exclusividades compradas serve apenas para limitar as opções de escolha de quem joga, algo nocivo para a evolução dos computadores. Essa postura firme em defesa do formato aberto justifica o preço salgado, já que o consumidor não está levando apenas uma máquina para a sala, mas sim a liberdade total de um ecossistema de PC sem as amarras de contratos corporativos abusivos.

"Quando empresas vendem seu hardware abaixo do custo por vantagem competitiva, ou compram conteúdo exclusivo para ele, estão fazendo isso para construir um sistema mais fechado, onde você não escolhe qual software quer usar. Não queremos isso para o hardware de PC, e não achamos que você deveria querer isso também."


A revelação dos valores oficiais do Steam Machine assustou os consumidores ao romper o teto dos US$ 1.000, confirmando que a empresa liderada por Gabe Newell não vai seguir o modelo tradicional de mercado. Há décadas, marcas gigantes como Sony, Microsoft e Nintendo aceitam perder dinheiro na fabricação e venda de seus aparelhos para tentar recuperar o prejuízo cobrando taxas polpudas sobre os jogos. A Valve rechaçou essa abordagem por considerar que a estratégia de subsidiar produtos fere de morte a sua filosofia de independência tecnológica.

"Embora [o subsídio] possa parecer uma solução fácil, ele não se alinha com nossas crenças sobre como ecossistemas saudáveis são construídos. Se há algo em que somos religiosos aqui na Valve, é nossa crença de que sistemas abertos são melhores no longo prazo, para nós e para os consumidores"


Essa postura se descolar do padrão da indústria mostra que a dona da Steam confia no valor de seu ecossistema sem precisar apelar para armadilhas financeiras. Comercializar um hardware pelo seu valor real de produção é uma decisão corajosa, que afasta o público casual que busca barganhas, mas protege o mercado de PCs de se transformar em um jardim murado controlado por decisões unilaterais de engravatados. A longo prazo, essa insistência na abertura do sistema pode ditar novos rumos para a distribuição digital.

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