
Sindicato da Ubisoft Barcelona responde a demissões com greve e exigências
O cenário de terra arrasada na indústria de jogos ganhou contornos ainda mais dramáticos esta semana, funcionando como um reflexo direto do "reset" corporativo promovido pela nova gestão da Xbox sob o comando de Asha Sharma, que resultou no corte desnecessário de 3.200 desenvolvedores. Seguindo a mesma cartilha de frieza administrativa, a Ubisoft consolidou-se como a outra grande vilã do ano no quesito demissões em massa. A bola da vez foi a Ubisoft Barcelona, que viu 51 funcionários serem desligados no dia 10 de junho, logo após entregarem o bem-sucedido Assassin's Creed Black Flag Resynced. Fontes internas revelaram ao portal Insider Gaming que os trabalhadores operavam em uma situação de perda anunciada: independentemente do sucesso comercial ou da recepção do público, o destino deles já havia sido selado nos gabinetes da diretoria.
A engrenagem burocrática por trás desse desmonte escancara a desorganização crônica da publicadora francesa. Tradicionalmente, quando um projeto se aproxima da reta final, as equipes são remanejadas para novas produções com até um ano de antecedência. O sinal de alerta em Barcelona acendeu ainda em 2025, quando o estúdio percebeu o silêncio da alta cúpula sobre qual seria o próximo destino técnico do grupo. Em depoimento anônimo, um dos desenvolvedores afetados desabafou sobre a realidade dos escritórios:
“Essas demissões refletem um padrão de maus-tratos constantes, perda de talentos, saídas forçadas resultantes da erosão dos direitos dos trabalhadores e uma cultura de gestão cada vez mais verticalizada, que deixa os funcionários com pouca voz nas decisões que afetam seu trabalho.”
A onda de cortes na empresa francesa ao longo do ano desenha um histórico vergonhoso de perseguição e decisões absurdas. Recentemente, a filial Ubisoft Halifax foi sumariamente fechada logo após os funcionários organizarem a sindicalização do estúdio. Pouco tempo depois, 55 profissionais da Massive Entertainment e da Ubisoft Stockholm foram para a rua. Para piorar o nível de bizarrice corporativa, o encerramento das atividades nos estúdios de Winnipeg e Belgrado no mês passado veio acompanhado de uma tentativa patética da empresa de colocar um "embargo de imprensa" no anúncio das demissões. Tentar usar regras de sigilo jornalístico — comuns para esconder spoilers de jogos — para camuflar o sustento de pais e mães de família mostra o nível de deterioração moral da liderança.
Desta vez, contudo, a base operacional decidiu não aceitar o massacre de braços cruzados. Os funcionários da sede espanhola cruzaram os braços e estruturaram uma greve firme, condicionando o retorno às atividades normais ao cumprimento de uma lista clara de exigências enviada à mesa de negociações:
Mandato de estúdio vinculativo para proteger os 51 funcionários afetados pelo corte recente
Garantia de cinco anos contra futuras demissões coletivas
Execução imediata de promoções internas que já haviam sido acordadas anteriormente
Retorno à taxa mensal de 60% de regime de trabalho em formato home office
Revisão urgente dos planos de melhoria salarial e benefícios sociais
Essa panela de pressão explodiu em um momento onde o público consumidor também atingiu o limite da paciência com as decisões predatórias das grandes marcas. O estopim colateral veio da Sony, que gerou uma revolta generalizada ao decretar o fim dos jogos físicos no PlayStation para 2028. A tentativa da gigante japonesa de fingir que nada aconteceu nas redes sociais naufragou imediatamente, com as postagens subsequentes sendo completamente soterradas por milhares de protestos de jogadores enfurecidos com o monopólio digital que se avizinha.
Essa obsessão doentia de holdings e acionistas em perseguir as margens de lucro infladas do período de isolamento da pandemia está destruindo a infraestrutura criativa do setor de tecnologia. Cortar custos eliminando justamente a força de trabalho que concebe os produtos de sucesso é uma miopia comercial assustadora que sabota o próprio futuro das franquias. Ver os desenvolvedores se organizando politicamente para frear esse comportamento predatório é o único feixe de dignidade que resta em um mercado de consoles cada vez mais frio, insensível e controlado por planilhas de contabilidade financeira.



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