
Presidenta do Xbox compara tamanho de Call of Duty com a Marvel
O faturamento histórico da franquia militar sob o selo da Activision acumula estimativas que batem a casa dos US$ 32 bilhões. Em um paralelo financeiro, o Universo Cinematográfico da Marvel já rompeu a barreira dos US$ 31 bilhões arrecadados somente em bilheterias mundiais, sem colocar nessa conta os dividendos de licenciamentos, brinquedos e suas produções seriadas para a televisão. Cravar qual império do entretenimento carrega mais peso comercial depende estritamente da métrica escolhida, mas a audácia de colocar um jogo de tiro anual no mesmo patamar de um fenômeno global de cultura pop serve bem para inflar o ego de investidores.
A executiva soltou a declaração espalhafatosa sem se dar ao trabalho de detalhar quais planilhas de mercado ou critérios técnicos embasaram a analogia.
“Temos a segunda série mais assistida de todos os tempos no Amazon Prime Video com Fallout, Minecraft ficou entre os cinco maiores sucessos de 2025 e Call of Duty é maior do que o Universo Cinematográfico da Marvel”
Essa estratégia agressiva deixa evidente o plano da Microsoft de fincar bandeira de vez em outras mídias além dos consoles. Na mesma leva de novidades colhidas pelo veículo, Matt Booty trouxe atualizações sobre o desenvolvimento do filme live-action de Gears of War, ao passo que o produtor Todd Howard confirmou que o simulador de piratas Sea of Thieves também está com passaporte carimbado para ganhar uma película nas telonas. O perigo dessa obsessão em transformar tudo em franquia multimídia é desviar o foco principal das desenvolvedoras, deixando a qualidade dos jogos em segundo plano para priorizar roteiros de cinema.
A afirmação polêmica veio à tona pelas mãos de Asha Sharma, presidenta da divisão de jogos, durante uma reportagem especial concedida à revista Entertainment Weekly em comemoração ao aniversário de 25 anos da marca Xbox. O pretexto do debate era destrinchar os resultados do avanço de marcas dos games migrando para Hollywood.
Para justificar a suposta soberania, a chefona do setor relembrou o desempenho expressivo da adaptação seriada de Fallout na plataforma de streaming da Amazon, além de citar a tração comercial que o longa de Minecraft alcançou nas bilheterias durante o ano de 2025. É compreensível que a gerência queira surfar na onda dessas vitórias comerciais recentes, mas usar o palanque de aniversário de uma plataforma icônica para disparar comparações exageradas soa mais como marketing defensivo do que como um dado realista. A marca construída por décadas de jogos de tiro agora serve como troféu corporativo para medir forças com gigantes do cinema.



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