
Netflix adota inteligência artificial em massa no streaming
O reflexo financeiro dessa guinada tecnológica já começou a aparecer nos relatórios para os acionistas. A gigante do streaming fechou o período com uma receita trimestral recorde de 12,56 bilhões de dólares, impulsionada por essa agressiva política de redução de despesas operacionais. A meta da diretoria agora é expandir os tentáculos para se transformar em um ecossistema completo de entretenimento, prometendo dar muito mais peso aos jogos eletrônicos interativos rodados via nuvem diretamente nas televisões e celulares dos assinantes, além de investir em podcasts em vídeo e clipes sociais. Diversificar o catálogo com jogos é uma estratégia interessante para reter o público, contanto que a empresa entregue experiências interativas de verdade e não apenas subprodutos genéricos feitos às pressas.
A infraestrutura por trás dessa automação em larga escala ganhou corpo após uma movimentação bilionária nos bastidores na primavera de 2026. A Netflix desembolsou cerca de 600 milhões de dólares para comprar a startup InterPositive, uma empresa de tecnologia fundada pelo ator e diretor Ben Affleck. Essa aquisição forneceu as ferramentas necessárias para acelerar o processamento de imagens digitais e gerenciar tarefas pesadas em nuvem. A aplicação prática desses algoritmos ao longo do ano acabou espalhada por projetos de diversas partes do mundo.
A aplicação prática da Inteligência Artificial em 2026 foi em projetos de diferentes partes do mundo, incluindo os seguintes:
A série de ficção científica L'Eternauta, que utilizou fluxos de trabalho gerados por computador para acelerar a finalização e os retoques das suas sequências de efeitos visuais.
O reality show Wonka's The Golden Ticket, onde a tecnologia permitiu a clonagem vocal autorizada do falecido ator Gene Wilder.
As produções Glory (Índia), Brasil 70: A Saga do Tri (Brasil) e The American Experiment (EUA), que recorreram aos algoritmos para gerar multidões digitais, sequências de batalhas históricas e planos de enquadramento.
Essa forte automação nas produções originais acendeu o sinal de alerta e gerou uma onda de desconfiança legítima entre os profissionais do setor audiovisual. Tentando conter os danos na imprensa e acalmar os sindicatos, o co-CEO Ted Sarandos veio a público defender a estratégia da plataforma de streaming. O executivo assegurou que a intenção não é trocar os profissionais humanos por linhas de código, afirmando que a empresa ainda depende de diretores e atores reais para entregar obras marcantes, e que os algoritmos operam apenas como ferramentas de auxílio técnico. Essa justificativa corporativa soa bastante ensaiada, tentando dourar a pílula de uma realidade onde o fator humano perde espaço para a pressa dos prazos e planilhas de lucro.
Toda essa discussão começou após a própria companhia confirmar oficialmente que embutiu fluxos de trabalho baseados em inteligência artificial generativa em aproximadamente 300 produções originais lançadas desde o começo de 2026. A intervenção dos computadores aconteceu quase inteiramente na etapa de pós-produção, sendo usada para ajustar a iluminação de cenas prontas, corrigir pequenos detalhes nos cenários de fundo e criar elementos gráficos. A justificativa interna para essa mudança de postura é a redução drástica de custos e prazos de entrega, com a empresa admitindo que várias cenas complexas seriam sumariamente deletadas dos roteiros finais por pura falta de verba se tivessem que depender dos métodos tradicionais de computação gráfica. É um momento bastante delicado para a indústria do entretenimento, onde a busca cega pela otimização do caixa corre o risco de padronizar a estética visual daquilo que assistimos.



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