Hideo Kojima alerta para riscos do sumiço definitivo dos discos

Hideo Kojima alerta para riscos do sumiço definitivo dos discos

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A perda definitiva do poder de posse do consumidor sobre as obras que ele consome é o ponto central que tira o sono do lendário desenvolvedor japonês. O criador da franquia Death Stranding recorreu às suas redes sociais para expor um receio antigo, prevendo um cenário incômodo em que jogos, produções cinematográficas, discos musicais e obras literárias deixem de pertencer aos indivíduos e fiquem sob a tutela total das corporações que gerenciam as plataformas de streaming. Essa dependência de servidores e contratos de licenciamento é uma armadilha perigosa, deixando o público refém de decisões corporativas unilaterais.

“Eventualmente, até mesmo os dados digitais deixarão de ser propriedade de indivíduos. Sempre que houver uma grande mudança no mundo, o acesso poderá ser cortado repentinamente. Não poderemos acessar livremente os filmes, livros e músicas que amamos. É disso que tenho medo.”


Esse desabafo contundente assinado por Hideo Kojima ganhou força logo após a Sony chocar a indústria ao decretar que interromperá a fabricação de mídias físicas para os novos títulos de PlayStation a partir de 2028. Essa transição forçada para um ecossistema puramente virtual serve de combustível para os argumentos do diretor, evidenciando como as grandes publicadoras preferem ditar as regras do mercado em vez de respeitar a liberdade de escolha do usuário tradicional.

O histórico do próprio designer serve de prova real para ilustrar esse apagão cultural digital que ele tanto critica. O exemplo mais emblemático dessa fragilidade ocorreu com P.T., o aclamado teaser jogável disponibilizado para o console PS4 em 2014. Logo após a Konami cancelar o projeto Silent Hills, a demonstração foi sumariamente varrida da PlayStation Store e, com o passar dos meses, o sistema bloqueou até o download de quem já mantinha o arquivo atrelado ao perfil pessoal. É uma situação lamentável que escancara como a memória da indústria de jogos pode ser facilmente deletada por caprichos ou brigas de bastidores entre executivos.

Em paralelo aos seus manifestos filosóficos na internet, o produtor segue focado na criação de seu próximo projeto de terror psicológico voltado para os computadores e para o ecossistema Xbox Series, batizado temporariamente de OD.

O desenvolvimento do game caminha a passos firmes, e o diretor já adiantou que a jogabilidade trará mecânicas inovadoras para estender a mão aos jogadores que ficarem aterrorizados demais para prosseguir com a exploração dos cenários. Embora as engrenagens burocráticas desse sistema de ajuda sigam trancadas sob sigilo absoluto, ver uma mente criativa focada em acessibilidade e em construir algo genuinamente assustador traz um frescor necessário para um gênero que costuma se apoiar em clichês batidos. Torcemos para que, quando este título estrear, o público ainda tenha maneiras seguras de preservá-lo para a posteridade sem depender da boa vontade de servidores alheios.

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