
Ex-diretor de Forza Horizon aponta falhas no Game Pass
A desilusão com o modelo de assinaturas ganhou mais um capítulo vindo de quem conhece a estrutura por dentro. Em declarações prestadas ao MinnMax Podcast, o criador e ex-diretor da franquia Forza Horizon, Mike Brown, trouxe um olhar bastante sóbrio — e crítico — sobre o colapso comercial do ecossistema do Xbox Game Pass. O desenvolvedor ponderou que a proposta original era positiva e focada no público, tendo injetado montanhas de dinheiro na indústria para comprar estúdios, financiar projetos ousados e gerar milhares de empregos ao redor do mundo. No entanto, o retorno financeiro nas planilhas simplesmente não fechou a conta.
A ausência de uma base de assinantes disposta a pagar os valores necessários para sustentar esses orçamentos astronômicos acabou detonando a estabilidade da divisão. Segundo Mike Brown, a consequência direta dessa conta que não fecha é a onda de demissões em massa e o fechamento abrupto de times criativos.
Para o criador, ver uma ideia bem-intencionada derreter por falta de sustentabilidade financeira é uma tragédia para quem trabalha fazendo jogos.
Hoje à frente da Maverick Games, onde comanda a produção do jogo de corrida em mundo aberto Clutch, o desenvolvedor analisa o cenário com a propriedade de quem migrou para a cena independente. Ele reforçou que o serviço permitiu a criação de obras que jamais teriam sinal verde em formatos tradicionais, mas ressaltou que a falta de adesão do público inviabilizou a continuidade desse modelo dos sonhos.
Abalar a estrutura de dezenas de estúdios ao apostar todas as fichas em um formato de cobrança que se provou insustentável a longo prazo é um erro estratégico gravíssimo do Xbox. Criar dependência em cima de um catálogo barato é fácil; o difícil — e onde a empresa falhou feio — é garantir que as contas continuem no azul sem ter que sacrificar carreiras e fechar portas pelo caminho.



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