
Equipe da id Software rebate declarações sobre demissões
Comparar a estrutura atual com o conturbado ciclo de desenvolvimento de DOOM (2016) para tentar amenizar a crise foi um tiro no pé gigantesco da liderança. Ex-funcionários lembraram que aquele projeto amargou quase sete anos de produção, passou por refazimentos dolorosos e exigiu um período massacrante de trabalho excessivo. Além disso, o estúdio só conseguiu entregar o produto após sofrer uma debandada em massa entre 2010 e 2011, sendo obrigado a contratar às pressas e recorrer ao suporte de equipes terceirizadas. Usar uma época marcada pelo desgaste para justificar o cenário presente expõe uma falta de sensibilidade gritante com quem carregou o desenvolvimento nas costas.
A polêmica ganhou força após uma apuração do portal Game Developer, que ouviu trabalhadores revoltados com a postura de Hugo Martin, codiretor da franquia. O executivo tentou passar um pano nas recentes demissões promovidas pela Xbox, alegando que o estúdio não teria sido enfraquecido após os cortes. No entanto, desenvolvedores anônimos contestaram o posicionamento, afirmando que o diretor reduziu o impacto do desmonte e desrespeitou os profissionais demitidos.
"Se você reduz um atributo pela metade, todo mundo diria que isso foi nerfado. A equipe de DOOM está meio aqui, meio descartada", desabafou um dos desenvolvedores afetados.
Para tentar conter o estrago, o codiretor defendeu que a id Software segue operando com cerca de 50 produtores e que o motor gráfico id Tech continuará evoluindo em parceria com a MachineGames e o time de Frankfurt. A justificativa não cola quando se analisa a escala dos cortes: a reestruturação promovida pela Microsoft na divisão Xbox varreu cerca de metade da força de trabalho da criadora de jogos de tiro, somando-se às mais de 1.600 demissões espalhadas pela empresa.
Tratar o desligamento da metade de uma equipe talentosa como se fosse um ajuste de rotina é uma atitude lamentável. Quando executivos tentam romantizar o sucateamento interno enquanto a publicadora corta postos de trabalho a rodo, a confiança da comunidade e o ambiente criativo da desenvolvedora naufragam inevitavelmente.



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