
EA engaveta franquias de corrida para focar em tiro
O impacto comercial abaixo do esperado de Need for Speed Unbound, lançado originalmente no mercado em 2022, funcionou como o estopim para essa mudança drástica de rota da diretoria. Embora a comunidade e a crítica especializada tenham recebido o título de corrida de forma razoavelmente positiva na ocasião, o retorno financeiro nas planilhas não atingiu as metas ambiciosas da Electronic Arts. A resposta da gigante americana foi imediata e implacável: realocar a força de trabalho para marcas capazes de gerar receitas mais agressivas. É de uma miopia corporativa revoltante ver uma empresa gigante simplesmente desistir de gêneros tradicionais inteiros só porque um jogo não bateu recordes absurdos de bilheteria.
A confirmação dessa reestruturação interna foi compartilhada publicamente por Rebecka Coutaz, que atua como vice-presidente e diretora-geral da Battlefield Studios Europe, durante uma conversa recente com o portal IGN. Ao ser questionada se a proximidade do aniversário de trinta anos da Criterion Games poderia render a revelação de um novo capítulo automotivo para os fãs, a executiva cortou as expectativas de forma seca, declarando que o grupo de desenvolvedores não tem tempo disponível para remoer projetos passados e que a prioridade absoluta nos escritórios atende pelo nome de Battlefield. Essa postura fria joga um balde de água fria em quem ainda tinha esperanças de ver a empresa valorizar o seu próprio histórico de sucessos.
Essa transição completa de pessoal coloca em risco extremo a sobrevivência de outras propriedades intelectuais históricas que estavam sob a custódia do estúdio britânico.
A icônica marca Burnout, celebrada na história dos videogames por sua jogabilidade em altíssima velocidade e mecânicas de destruição veicular impressionantes, segue completamente esquecida e sem qualquer plano de desenvolvimento para a atual geração de consoles. A dona da franquia optou por direcionar todas as suas fichas em produções de escala massiva que dominam o cenário competitivo de ação. Enquanto os fãs de velocidade ficam órfãos de opções de peso no mercado, a equipe foca seus esforços na produção do vindouro Battlefield 6, que trará novidades estruturais como a chamada Operation Augur — um modo inédito de jogo que elimina o surgimento de jogadores diretamente nos objetivos e unirá dois mapas de grandes proporções.
Essa movimentação nos bastidores significa que a editora americana praticamente encerrou os investimentos no futuro da clássica linha Need for Speed, confiscando os recursos operacionais da Criterion Games. O time do Reino Unido, consagrado por décadas na indústria devido à sua especialização ímpar em entregas de corrida arcade de alta qualidade, foi absorvido de forma definitiva pelo braço europeu focado em jogos de tiro em primeira pessoa. Desmantelar um estúdio especialista em direção para transformá-lo em suporte de suporte de jogo de tiro escancara o lado mais genérico e sem criatividade da indústria atual, que prefere saturar o mercado com mais do mesmo a manter a diversidade em seu catálogo de lançamentos.



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