
Clássicos Black Ops chegam ao PS5 sem melhorias técnicas
A análise técnica aprofundada conduzida pelo canal Digital Foundry escancarou que o tempo e o orçamento investidos pela distribuidora nessas conversões foram praticamente nulos. Embora o primeiro capítulo da subsérie tenha estreado originalmente em 2010, nenhuma dessas edições tira proveito do hardware contemporâneo do PlayStation 5. Ambos os títulos rodam travados na resolução nativa de 1080p a 60 Hz, ignorando solenemente recursos que deveriam ser obrigatórios em relançamentos atuais, tais como suporte a 4K nativo, modos de fluidez a 120 quadros por segundo ou um controle de ajuste para o campo de visão (FOV). A ausência completa de filtros de suavização de serrilhados e a manutenção das texturas e sombras estouradas da época do PlayStation 3 e do Xbox 360 evidenciam uma total falta de capricho e respeito com a preservação dessas obras.
As edições para PS4 e PS5 das campanhas e modos zumbis de Call of Duty: Black Ops 1 e Call of Duty: Black Ops 2 já estão disponíveis para compra na loja digital. Contudo, o tão aguardado retorno dos dois capítulos mais emblemáticos da franquia de tiro acabou se transformando em um balde de água fria para a comunidade. Em vez de entregar uma remasterização digna e condizente com as tecnologias atuais, a Activision optou pela lei do menor esforço, cobrando a salgada etiqueta de 39,99 euros por cada port básico, sem incluir sequer as expansões de mapas no pacote principal. É desanimador notar como as grandes empresas preferem capitalizar em cima da nostalgia dos entusiastas cobrando valores abusivos por arquivos antigos sem qualquer tipo de tratamento visual ou refinamento técnico.
Os especialistas em hardware cogitam duas hipóteses para esse desleixo técnico nos consoles da fabricante japonesa.
Os engenheiros da Digital Foundry suspeitam que o desempenho medíocre possa ser reflexo de uma verba de produção severamente limitada pela diretoria, ou, pior ainda, uma manobra estratégica deliberada da Microsoft para impedir que os jogos rodem com qualidade visual superior na plataforma rival da Sony em comparação ao que é entregue atualmente no ecossistema da própria dona do Windows. No lado da concorrência, o acesso aos games nos sistemas Xbox Series X/S e Xbox One é feito por meio do catálogo de retrocompatibilidade tradicional, o que acaba limitando a reprodução à resolução jurássica de 608p herdada diretamente do Xbox 360, gerando uma exibição borrada, escura e com sombras pixeladas.
Para tentar aliviar o peso da recepção negativa devido ao preço abusivo de lançamento, uma promoção temporária foi ativada para os membros que assinam o serviço PlayStation Plus. Até o dia 6 de agosto, o custo individual de cada jogo cai para 19,99 euros, enquanto o passe de temporada com os conteúdos adicionais pode ser adquirido por 9,89 euros, viabilizando o resgate do combo completo por um valor estimado na casa dos 60 euros. Essa redução momentânea de preço serve apenas como um paliativo para mascarar uma postura comercial gananciosa, que empurra ports secos e mal otimizados goela abaixo de uma comunidade que merecia um trabalho de restauração de alto nível.



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