Chefe do Xbox vai assessorar banco central americano

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As credenciais corporativas da executiva incluem passagens marcantes por grandes conglomerados de tecnologia antes de assumir o comando dos consoles da Microsoft no início deste ano. Ela atuou como presidente da divisão CoreAI da gigante dos softwares e ocupou cadeiras de liderança na Meta, onde respondeu pela vice-presidência de Produto e Engenharia de ferramentas populares como o Messenger e o Instagram Direct. Essa bagagem técnica pesada pesou a seu favor no processo de escolha, chamando a atenção o fato de ela ser a única diretora executiva em atividade a compor o time de especialistas selecionados pela autarquia financeira.

A indicação da gestora foi chancelada oficialmente pela diretoria do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, que escalou a profissional para atuar como uma das três conselheiras de um comitê estratégico voltado a destrinchar dinâmicas de Produtividade e Empregos. A iniciativa faz parte de um pacote de cinco forças-tarefa independentes arquitetadas pela instituição monetária com o objetivo de municiar os futuros relatórios do FOMC, o órgão responsável por ditar as taxas de juros americanas. O foco das análises do subgrupo estará amarrado em mensurar como inovações de propósito geral, com ênfase na inteligência artificial, vão remodelar os índices de contratação e as rotinas industriais no país.

Colocar uma especialista em automação e algoritmos para tentar blindar a macroeconomia contra o desemprego tecnológico parece uma decisão lúcida, mas a ironia da situação é gritante.


O anúncio desse cargo de conselho coincide justamente com uma das fases mais sombrias e destrutivas para a divisão de jogos da Microsoft. A empresa deu andamento a uma tesourada massiva em seu quadro de pessoal técnico, cujos cortes acumulados já arrastaram cerca de 3.200 desenvolvedores para a rua até o encerramento do ano fiscal da marca de consoles. A demissão em massa começou com uma leva inicial de 1.600 desligamentos e foi sendo ampliada de forma gradual nas semanas subsequentes. Ver a responsável por coordenar a demissão de milhares de criadores de jogos ser premiada com uma cadeira para estudar o "impacto econômico no emprego" gera um desconforto imenso na comunidade e escancara a desconexão completa entre os gabinetes do mercado financeiro e a realidade dos trabalhadores da indústria de jogos.

O presidente da autarquia, Kevin Warsh, defendeu a criação dos grupos de estudos argumentando que o modelo comercial dos Estados Unidos passou por mutações drásticas ao longo da última geração e precisa de ferramentas analíticas modernas para acompanhar a velocidade dessas mudanças. A meta declarada do comitê é fornecer relatórios baseados em evidências que auxiliem o banco a cumprir o seu duplo mandato institucional: proteger o poder de compra da população garantindo a estabilidade de preços e buscar o nível máximo de empregabilidade. Resta saber se as recomendações da executiva para o mercado de trabalho americano serão baseadas nas mesmas soluções radicais de corte de custos que ela aplicou para equilibrar as planilhas da marca Xbox.

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