Bit Reactor afasta funcionários antes de Star Wars

Bit Reactor afasta funcionários antes de Star Wars

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Tratar a equipe de desenvolvimento com medidas extremas de contenção financeira às vésperas de um lançamento de grande porte expõe problemas sérios na gestão administrativa do estúdio, manchando o histórico de uma produção que tinha tudo para ser um marco positivo. A desenvolvedora Bit Reactor colocou grande parte de sua equipe em licença não remunerada semanas antes da estreia do jogo Star Wars Zero Company.

Um representante da Bit Reactor declarou ao portal Game File que a medida foi uma decisão difícil, tomada antes que os resultados do lançamento ficassem claros, garantindo que a ação não teve interferência da distribuidora Electronic Arts ou da Disney, detentora da marca Star Wars.

Apesar da turbulência interna nos bastidores, o título Star Wars Zero Company vem registrando recepção positiva da crítica e do público, ocupando atualmente a segunda posição na lista de mais vendidos da plataforma Steam.

Fontes consultadas pelo Game File afirmam que cerca de 80% do quadro de funcionários da Bit Reactor foi afastado por falta de verba, deixando apenas uma equipe reduzida encarregada de corrigir eventuais falhas do jogo após a estreia.


O esgotamento do orçamento no período final de produção teria sido o motivo principal para a paralisação das atividades de grande parte dos colaboradores.

O ex-artista técnico sênior Zachariah Scott revelou no LinkedIn que a direção do estúdio escondeu o fato de que o time havia sido afastado semanas antes do anúncio público.

Em declarações adicionais ao Game File, o profissional pontuou que o orçamento esteve apertado durante toda a sua passagem pela empresa e que o fundador Greg Foertsch mencionava com frequência a necessidade de fechar novos contratos para manter as operações ativas.

Propostas como a criação de animações adicionais para os sabres de luz foram descartadas sob a justificativa de falta de recursos financeiros, com o desenvolvedor descrevendo a produção como um projeto conduzido sob austeridade severa.

A Bit Reactor afirmou ter esperança de reintegrar os trabalhadores afastados assim que o desempenho comercial de Star Wars Zero Company nas lojas digitais trouxer retorno financeiro para o caixa da empresa.

Entretanto, Scott ponderou que os funcionários com quem conversou demonstram pouca confiança na promessa de retorno aos cargos anteriores, mesmo que o título alcance bons números de vendas.

O corte de pessoal também foi citado em um processo judicial aberto em 2024 pela ex-diretora de operações Alison Kelly, que indicou ainda o encerramento prematuro de contratos com prestadores de serviço terceirizados.

A disputa na justiça gira em torno da estrutura de sociedade da Bit Reactor, em que Kelly alega ser sócia do estúdio ao lado de Greg Foertsch e do cofundador Tom Whittaker, enquanto a defesa de Foertsch afirma que a ex-executiva foi demitida por desempenho insatisfatório e que o acordo preliminar de divisão de ações nunca foi assinado.

Buscando uma indenização superior a US$ 20 milhões na justiça, Kelly contesta as alegações da diretoria em um momento em que outros fundadores, como Tom Whittaker e Steve Meyer, já deixaram a estrutura do estúdio.

Conquistar um lugar de destaque nas vendas da Steam com um título baseado na franquia Star Wars é uma conquista notável para a estreia da Bit Reactor. No entanto, expor os profissionais a demissões e licenças não remuneradas por falhas na gestão de verbas da Bit Reactor mostra como a cultura corporativa ainda falha em proteger quem realmente constrói os jogos na prática.

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