Assassin’s Creed Shadows gera polêmica no Japão e Ubisoft é acusada de desrespeitar cultura local

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O que deveria ser mais um grande lançamento da Ubisoft, Assassin’s Creed Shadows, está virando um campo minado de críticas e polêmicas, especialmente no Japão, o próprio país que serve de cenário para o aguardado jogo. Após a revelação do vídeo de gameplay, a Ubisoft enfrenta acusações sérias de ignorância e desrespeito à cultura japonesa, por conta da maneira como certos locais sagrados foram retratados no game.

O epicentro dessa controvérsia gira em torno de uma cena em que o personagem Yasuke, o famoso samurai africano real que inspirou um dos protagonistas do jogo, invade e destrói partes de um santuário sagrado — uma ação que, segundo os críticos, jamais seria praticada por um samurai legítimo.

Entre as vozes mais fortes contra a Ubisoft está o próprio Santuário Itate Hyozu, localizado na prefeitura de Hyogo, que decidiu entrar com uma queixa formal contra a empresa, alegando que o santuário foi recriado digitalmente sem qualquer tipo de autorização ou consulta prévia.

"Nem sequer fomos contactados pela Ubisoft sobre a recriação do local, algo que teríamos recusado se tivessem nos abordado", afirmaram os responsáveis do santuário.


Mais que uma questão legal, o impacto cultural é o que mais incomoda. Kazutoshi Nishimoto, o sacerdote chefe do santuário, foi claro ao dizer que "estes espaços são uma representação profunda da cultura japonesa e não devem, sob nenhuma circunstância, serem desrespeitados, mesmo dentro de um videogame".

"Mesmo tratando-se de um jogo, o ato de destruir ou profanar um santuário é uma ofensa grave à nossa tradição", completou Nishimoto.


A polêmica ganhou ainda mais peso quando Takeshi Nagase, membro da assembleia da prefeitura de Hyogo, fez um apelo ao Congresso Japonês para que haja uma reação formal contra a Ubisoft, alegando que “a história e a importância deste santuário exigem respeito”. Nagase também criticou o fato de o jogo apresentar samurais atacando pessoas indefesas e destruindo lugares sagrados, o que, segundo ele, é "totalmente contrário ao código de conduta de um verdadeiro samurai".

Além das ofensas à cultura, há também o medo de que o comportamento mostrado no jogo possa incentivar atos de vandalismo na vida real contra locais sagrados. "Estamos preocupados que esse tipo de representação possa influenciar pessoas a imitar esses comportamentos", destacaram os líderes do santuário.

Vale lembrar que Assassin’s Creed Shadows, previsto para 20 de fevereiro de 2025, será o primeiro título da série a explorar o Japão feudal, trazendo dois protagonistas jogáveis: Yasuke e Naoe, uma kunoichi (ninja). A expectativa era alta para um jogo que prometia respeitar a história e a cultura japonesa, mas o primeiro vídeo de gameplay já levantou sérias questões sobre o cuidado com essa representação.

Por enquanto, a Ubisoft não se manifestou oficialmente sobre o caso. A controvérsia chega em um momento delicado para a empresa, que já enfrenta críticas por decisões anteriores em outras franquias, e agora vê sua tão aguardada incursão no Japão ameaçada por um possível boicote local.

Se a Ubisoft não agir rapidamente para corrigir a percepção negativa — ou até mesmo ajustar o conteúdo do jogo —, o lançamento de Assassin's Creed Shadows pode acabar manchado por acusações que vão além da mera liberdade criativa. Afinal, em tempos onde o respeito cultural pesa cada vez mais no mundo dos games, fidelidade histórica e sensibilidade com os povos retratados são fatores inegociáveis.

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MGN
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