
A valorização dos povos originários é o que move Turi - Kaapora | Mundo Indie
Trabalhar com a cultura indígena no Brasil deveria ser algo natural e acessível, mas infelizmente não fomos educados desde cedo para conhecê-la da forma correta, resumindo os conhecimentos em estereótipos e suposições cotidianas.
O estúdio Vortex está chegando com o jogo Turi - Kaapora, com o intuito de conscientizar a respeito dos cuidados com o meio ambiente e valorizar a cultura dos povos originários de maneira lúdica.
Conversamos com Rafael Silva e Murillo Mattos, game designer e programador de Turi. Confira a conversa, onde nos contaram a respeito da criação, desenvolvimento e futuro do jogo.
Sobre a Vortex
A Vortex foi formada, ainda sem ser batizada com esse nome, por amigos de faculdade logo no primeiro semestre. A afinidade entre Rafael, Murillo, Victoria Motta (artista e narrative designer), João Braz (produtor executivo) e Ryan Ebani (sound designer) foi tanta que permaneceram juntos até o fim do curso e consequentemente, estão levando os projetos para além da vida acadêmica.
Em todos os semestres, os alunos tinham como tarefa apresentar um jogo, como se fosse um pseudo-TCC. A ideia era simular um estúdio, com toda a sua estrutura e processos. Nos dois últimos semestres, a missão era criar um jogo mais sofisticado, com o tema de conscientização ambiental, para trazer para a pauta os problemas atuais que enfrentamos. Foi daí que nasceu o Turi, uma história que mistura personagens da cosmovisão indígena e problemas ambientais.

O nome “Vortex” surgiu por meio de brainstormings e brincadeiras entre o grupo. Todos definiram o significado de Vortex como “turbilhão” e “mistura”, que é o que traduz a essência do estúdio a partir de seus integrantes.
O grande diferencial é o fato de todos, pessoas brancas, contarem com a colaboração da Sawara, mulher indígena que com o lugar de fala, é essencial na hora de auxiliar no roteiro e definir elementos narrativos de forma assertiva, tornando Turi um jogo livre de estereótipos e “achismos” das crendices populares.
Desenvolvendo Turi - Kaapora
Desde a época da faculdade, Turi passou por diversas modificações, até a versão que podemos ver em eventos como a gamescom latam, que aconteceu em junho, por exemplo.
Uma das mudanças significativas e que torna Turi muito especial é o fato de mudarem o ambiente do jogo da Floresta Amazônica para a Mata Atlântica, pelo simples fato que toda a equipe vive na área desta última, no sudeste do Brasil. Essa vivência dá a eles autoridade para falar de vegetação, clima, fauna e etc. Silva relatou:
“Fomos questionados por que iríamos fazer sobre a Amazônia, se nenhum de nós tinha sequer pisado lá. Para nós, realmente, seria impossível não escrever algo totalmente fantasioso sobre essa região, baseado no achismo e pesquisas superficiais na internet. Além disso, o argumento que nos fez decidir pela Mata Atlântica foi o fato de estarmos somente com 3% da vegetação intacta e quase ninguém fala disso.”.
A história de Turi-Kaapora começa quando invasores vencem o Boitatá, guardião da floresta, e roubam seu fogo para iniciar uma onda de destruição. A protagonista, Kaapora, tem Boitatá como mentor e acaba descobrindo tudo o que ele estava até então te poupando: que a natureza estava cada vez mais comprometida pelas ações do homem branco invasor, que enxerga apenas o lucro.
O objetivo do jogo é resgatar o fogo do Boitatá. Kaapora se aventura nessa jornada junto com seu amigo Queixada, que irá ajudá-la no combate dos inimigos. Além dele, ela também contará com a ajuda de entidades do misticismo indígena, até mesmo alguns que inicialmente se mostraram como “vilões”.
Turi é um jogo hack’n’slash, onde o jogador precisa ir combatendo inimigos diversos para limpar a área e ir ganhando força para continuar o percurso até o objetivo final. Por ser um jogo que o tema, sobretudo, é resistência, nada melhor que mostrar de forma concreta uma luta para que o ser humano respeite a natureza, por bem ou por mal.
Alguns elementos narrativos mostram uma dubiedade. O fogo, por exemplo, pode ser dividido entre o “puro” e o “corrompido”, sendo representados pelas cores azul e vermelho, respectivamente.

A ideia é mostrar que inúmeras coisas podem ser usadas para o bem e para o mal. Entretanto, os desenvolvedores deixam bem claro a todo momento que o inimigo é o invasor que está violando a floresta. A função dos seres, elementais ou não, é se unir para acabar com essa destruição, independente das suas diferenças entre si.
O futuro do jogo
O jogo Turi-Kaapora ainda está sendo desenvolvido. Por ser um estúdio indie, ele passa por diversos desafios, dentre eles o financeiro.
A ideia é recorrer a diversos editais e similares para arrecadar verba e poderem continuar o jogo de forma otimizada e profissional. Há também a procura por publishers, que possam ser parceiras para esse futuro lançamento.

Por conta disso, o lançamento oficial do jogo ainda segue incerto, com uma previsão mais assertiva para depois do segundo semestre de 2026, inicialmente com compatibilidade para rodar em PC.
Futuramente, há ainda a intenção de inserir o jogo em escolas, para que os alunos aprendam sobre consciência ambiental de forma lúdica e divertida, mas com o pensamento de que o assunto é sério e merece a atenção de todos nós.
Enquanto Turi - Kaapora ainda não chega oficialmente, podemos acompanhar o desenvolvimento dele por meio das redes sociais do estúdio e nos eventos que disponibilizarem a demo para termos um pouco da experiência, que promete ser fantástica.
Links úteis para quem quer acompanhar a Vortex e Turi - Kaapora
Adicione o jogo na wishlist da Steam;
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Confira o trailer;
Acompanhe no Tik Tok;
Ouça sobre o processo de criação no podcast.
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Sobre o jogo
Turi: Kaapora
- Data de lançamento:
- Desenvolvedora(s):
- Publicadora(s):
- Modo(s) de Jogo: Single player
- Plataforma(s): PC (Microsoft Windows)


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